segunda-feira, 28 de julho de 2014

Sobre a doença e a cura




Os livros não me entretêm mais. Nem a TV ou as tiradas sarcásticas de minhas amigas. Sempre que escuto alguma música, não importa qual seja, a associo a você. Simplesmente não consigo tirá-lo da cabeça.

Você é a melhor pessoa que conheço. Sua companhia me faz bem e eu nunca pensei que pudesse ser tão feliz. Não que minha vida fosse ruim antes de aparecer, mas ela era incompleta. Você a completou. Deixou-me mais leve.

O engraçado é que, quanto mais gosto de ti, mais sinto-me insegura. Porque, embora me sinta à vontade contigo, sei que nunca me amará. Você é meu melhor amigo, eu choro ou sorrio com você, ao mesmo tempo; eu não consigo ficar longe do seu toque, mesmo quando a tristeza é mais do que posso suportar.

E você sabe o que sinto, pois sou transparente e é impossível esconder algo dos seus olhos. Você sabe que o amo e que não pode retribuir, por isso sempre me abraça forte quando estou triste por sua causa. Você sabe o quanto dói e nunca toca neste assunto, continua ao meu lado e tenta atenuar minha dor.

Você é a cura e a própria doença, e eu não sei se fujo ou te procuro, se me perco em seu sorriso ou esqueço seu corpo. Estou caindo aos pedaços, mas você ainda os junta e vê algo em mim que ninguém vê. Você tem o meu coração entre os dedos e não faz nada, deixa-o pulsando em mim, destruindo-me com toda esta paixão aprisionada - porém reconstruindo-me a cada dia, beijando minhas lágrimas com uma ternura que finjo ser amor.


sexta-feira, 18 de julho de 2014

Sobre a perfeição




A perfeição, de verdade, seria estar com você neste momento. E ver o que os seus olhos têm e não têm a falar - os seus pensamentos.
Seria ler um livro ao seu lado - os dois sorrindo por sobre as páginas, calados.
Seria beijá-lo, mesmo que por um segundo - fosse de leve, fosse profundo.
Seria rir seu riso e derramar seu pranto - e depois estacar, com espanto.
Seria gritar nas calçadas: eu este cara! - e rir das reações das pessoas,
enquanto você me ampara.
Seria encontrar palavras suficientes para explicar o que sinto - porque quanto mais palavras digo, mais parece que minto.
Seria ir até sua casa e invadir o seu quarto - até você resmungar que de mim está farto.
Seria te ligar, sem saber o que dizer - e ainda assim você me entender.


A perfeição, para mim, seria você.