terça-feira, 25 de março de 2014

Sobre as palavras não ditas




Claro que não serei exagerada.
Não direi que sinto um tremor quando conversamos e que no mesmo minuto suas palavras me acalmam; não direi que a cada dez pensamentos que tenho nove são sobre você, nem que meu sorriso dá um clique ao vê-lo; não direi que os dias parecem desertos sem sua companhia ou que olho melancolicamente suas fotos; não direi que já chorei por não tê-lo, que te mando para o inferno mentalmente quando não me responde; não direi que meus sonhos românticos são sobre você, que o abraço e beijo na imaginação; não direi que tudo que escrevo reflete minha paixão, que te procuro nos rostos que passam na rua; não direi que sinto sua falta uma hora depois de nos falarmos ou que peço desculpas porque não quero perdê-lo; não direi que me angustia todas as suas ideias realistas sobre o amor, nem que eu tento te esquecer e não consigo; não direi que fico feliz só em escutar sua risada e que sua voz é som mais bonito que já ouvi; não direi que é terrível a distância e mais terrível ainda amá-lo; não direi que me magoo com algo que nem devia me magoar, que tenho medo de não ser o bastante para você; não direi que todas essas frases que lhe ofereço são na verdade um pedido de socorro.

Não, eu não direi tudo isso.

Por hoje, fique com o meu "oi".

sábado, 22 de março de 2014

Sobre a nossa despedida



Seus olhos estão sobre os meus olhos e suas mãos sobre as minhas mãos. Estamos parados. Há mágoa em meu rosto e indiferença no seu. Já adivinho que esta é a despedida, nosso último momento juntos. Todo meu corpo dói com a constatação. Dói por perceber que nunca serei suficiente para você, nunca terei uma gota do seu amor. Porque você é um homem com um leque vasto de opções e não precisa escolher nenhuma, pois todas lhe pertencem. Me descartar é só mais um lance no seu jogo de relações: não precisa mais de mim, usou o que tinha que usar. O pior é que percebi, desde o primeiro segundo em que me apareceu, que era assim. Bem, talvez eu seja culpada. Você não me prometeu nada, "os riscos são por sua conta, querida". Mas eu me iludi. Pensei que era especial. Criei expectativas de que viveríamos um lindo romance e você se apaixonaria por mim. Estava errada. Porém, ainda que eu admita isto, não acho que mereça esse seu sorriso de deboche. Nem sua frieza disfarçada de ternura. Já estou tão destruída... Não me sobra mais nada...

Seus braços me enlaçam quase mecanicamente. Faço força para não chorar. Você sussurra em meu ouvido: "Eu te amo". E repete por vários segundos, até achar que cumpriu seu papel, que me ressarciu da tristeza com essas palavras desconexas. Então, me solta e se afasta. Sem olhar para trás.


terça-feira, 18 de março de 2014

Sobre os teus olhos



Eu só vejo os teus olhos. Não consigo viver sem eles. Teu olhar me orienta, mesmo quando distante, como se eu tivesse nascido dele. Tu me olhas com esta tua imensidão verde e me acolhe sem nenhuma palavra - elas não são necessárias. Tudo que realmente me importa cabe nas tuas pálpebras... E quando estas se fecham, quando se afastam e cansam de mim, as horas deixam de ter sentido. Os meus gestos tornam-se um desperdício de energia. Sem teus olhos volto a ser um livro com as páginas em branco, e eu nunca poderia escrever outra história que não o contivesse nas linhas.

Eu me perco em teus olhos e demoro dias para me achar. Alguns pedaços meus não foram reencontrados, ficaram para sempre em ti. Tu me fragmentas, me salvas, me amas, me descartas. Sou importante para ti e no fim não significo nada. És o espelho que mostra os erros e acertos que já fiz, refletindo o amor que saí de minha alma. Teu maldito olhar me compreende. Não me julgas. Não me dá respostas, me instiga a procurá-las. Quer a minha felicidade, apesar de às vezes também me fazer infeliz. Deseja-me. Consola-me. Afaga-me.

Enquanto existir teus olhos no mundo, tudo ficará bem.